segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sobre gostos e gostos ou porque eu não gosto do Oscar

- Preciso de um texto bem curtinho falando sobre os indicados os Oscar deste ano.

- Oi?

- Um texto...curtinho...indicados...você SABE quem são os indicados né?

- Não gosto do Oscar.

- Só um comentário curto.

- Não.Gosto.Do.Oscar. Está curto o suficiente?

- Caramba Sil, escreve alguma coisa! Você tem 24 horas.

E eu escrevi quase meia página do word. e ela veio reclamar que estava muito longo.

- Coloca então que eu não gosto dessa p%$% de Oscar e pronto.

- Tá, tá, eu vejo o que a gente faz com o seu texto.

E só Deus e ela sabem o que vai acabar saindo na revista a respeito do meu amor incomensurável por esta festa tão democrática quanto as eleições no Egito que deram vitória ao Mubarak por 30 anos seguidos.

Gosto não se dicute. Meu pai costuma acrescentar "lamenta-se" no final desta frase apenas para provocar discussão.

Comigo isso não funciona. Não discuto gostos pessoais de ninguém, a menos que venham me dizer que sou obrigada a gostar de alguma coisa que não gosto.

E eu não gosto da festa do Oscar.

Acho as indicações muito convenientes e as premiações ainda mais convenientes.

Mas não sou radical. Assisto a maioria dos filmes indicados e até gosto de alguns deles, normalmente dos que não venceram a disputa.

Ok, é implicância minha, eu admito. E admito também que a Academia acertou algumas vezes desde 1929.

Mas também não os perdôo por tirar o Oscar de Guerra nas Estrelas em 1978 em prol de um filme de Woody Allen, trauma que criou em mim, uma inocente criança de 11 anos, um bloqueio tão grande que até hoje não consigo assistir filmes desse sujeito.

O problema comigo é que sou uma nerd apaixonada. Não sou xiita, não promovo passeatas nem boicotes a filmes, evito inclusive de falar daquilo que não gosto para não criar antipatia gratuita dos leitores.

E o que eu não gosto mesmo é da sensação que todos sutilmente passam de que temos a obrigação de gostar do que eles gostam e alardear para amigos e conhecidos o quanto somos cultos e inteligentes porque também gostamos do que a Academia gosta.

Quero o direito de achar que Caçadores da Arca Perdida merecia mais o Oscar em 1982 do que Carruagens de Fogo o que não significa que não gostei do filme.

Quero o direito de de poder dizer a qualquer pessoa que achei Forrest Gump uma droga sem ser tachada de ignorante, e que Melhor Impossível merecia mais o Oscar do que Titanic em 98 sem que olhares de horror invadam o recinto em que me encontro.

Enfim, quero o direito de não gostar do Oscar e de decidir se quero ou não perder minha noite assistindo jogadinhas políticas que fazem pouco caso do público.

Como público, peço um pouco de respeito à minha pouca inteligência.

Será que é pedir muito?

4 comentários:

A. Paulsen disse...

Acho que todos temos o direito de não gostar de algo e ser respeitado por este desgosto. Ainda mais quando se trata do Oscar, que é muita politicagem e muito pseudointelectual.

Arthur Azevedo disse...

Sil... eu concordo com você em gênero, número e grau!!
Há tantos outros filmes que nem foram lembrados na porcaria do OSCAR, que foram maravilhosos e mudaram a minha vida! Com relação aos concorrentes, eu não tenho tanto conhecimento qto você, mas TITANIC ganhar algumas estatuetas é o fim! O filminho ruim do C@#$%&&!! Só tem efeito especial! E também, GUERRA AO TERROR ter ganho de Melhor filme e deixar de fora AVATAR. Eu sinto que os babacas do OSCAR tem preconceito com filmes de ficção!
E tem Sociedade dos Poetas Mortos, que perdeu para Conduzindo Miss Daisy... Nada contra o filme, mas ele mexeu com a minha vida!
E a minha maior indignação é que CLube dos CInco não teve nenhuma indicação! hehehehehehehehhe

Larissa Bohnenberger disse...

Com certeza não é pedir muito, cada um dedica a sua atenção e tempo àquilo que lhe dá prazer e lhe faz algum sentido.

Eu não sou fã n°1 da festa do Oscar, e concordo quando você diz que as indicações são convenientes e as premiações mais convenientes ainda. Mas também concordo que às vezes eles acertam, e gosto de assistir, de me revoltar ou comemorar as escolhas da academia a cada ano.

Mas devo admitir que a parte que eu mais gosto é debochar dos vestidos ridículos que a maioria das atrizes usam. Gente, moda é uma coisa muito estranha. Não tem senso estético nenhum, na minha humilde opinião... Afff!

Bjs!

Bondgirlpatthy 007 disse...

Houveram mtas injustiças. Eu tenho uma q jamais perdoarei mas não pelo filme e sim pela indicada. Central do Brasil só deu certo pq Fernanda Montenegro "carregou o filme nas costas sozinha". Ela merecia ao menos uma citação heróica por seu feito. Assisti "Central" só por causa dela(q sou fã p/ caramba) e notei o qto nosso cinema é pobre pq tem atores maravilhosos, uns até c/ algum esforço mas as estórias são fracas e ridículas (tirando Tropa de Elite 1 e 2), nenhum filme brasileiro presta pq privilegia sexo e bandidagen o tempo inteiro, isso qdo não são feitas aquelas comédias q ao invés de te fazer rir te dão soooooooonooooo. Bjs