- Preciso de um texto bem curtinho falando sobre os indicados os Oscar deste ano.
- Oi?
- Um texto...curtinho...indicados...você SABE quem são os indicados né?
- Não gosto do Oscar.
- Só um comentário curto.
- Não.Gosto.Do.Oscar. Está curto o suficiente?
- Caramba Sil, escreve alguma coisa! Você tem 24 horas.
E eu escrevi quase meia página do word. e ela veio reclamar que estava muito longo.
- Coloca então que eu não gosto dessa p%$% de Oscar e pronto.
- Tá, tá, eu vejo o que a gente faz com o seu texto.
E só Deus e ela sabem o que vai acabar saindo na revista a respeito do meu amor incomensurável por esta festa tão democrática quanto as eleições no Egito que deram vitória ao Mubarak por 30 anos seguidos.
Gosto não se dicute. Meu pai costuma acrescentar "lamenta-se" no final desta frase apenas para provocar discussão.
Comigo isso não funciona. Não discuto gostos pessoais de ninguém, a menos que venham me dizer que sou obrigada a gostar de alguma coisa que não gosto.
E eu não gosto da festa do Oscar.
Acho as indicações muito convenientes e as premiações ainda mais convenientes.
Mas não sou radical. Assisto a maioria dos filmes indicados e até gosto de alguns deles, normalmente dos que não venceram a disputa.
Ok, é implicância minha, eu admito. E admito também que a Academia acertou algumas vezes desde 1929.
Mas também não os perdôo por tirar o Oscar de
Guerra nas Estrelas em 1978 em prol de um filme de Woody Allen, trauma que criou em mim, uma inocente criança de 11 anos, um bloqueio tão grande que até hoje não consigo assistir filmes desse sujeito.
O problema comigo é que sou uma nerd apaixonada. Não sou xiita, não promovo passeatas nem boicotes a filmes, evito inclusive de falar daquilo que não gosto para não criar antipatia gratuita dos leitores.
E o que eu não gosto mesmo é da sensação que todos sutilmente passam de que temos a obrigação de gostar do que eles gostam e alardear para amigos e conhecidos o quanto somos cultos e inteligentes porque também gostamos do que a Academia gosta.
Quero o direito de achar que
Caçadores da Arca Perdida merecia mais o Oscar em 1982 do que
Carruagens de Fogo o que não significa que não gostei do filme.
Quero o direito de de poder dizer a qualquer pessoa que achei
Forrest Gump uma droga sem ser tachada de ignorante, e que
Melhor Impossível merecia mais o Oscar do que
Titanic em 98
sem que olhares de horror invadam o recinto em que me encontro.
Enfim, quero o direito de não gostar do Oscar e de decidir se quero ou não perder minha noite assistindo jogadinhas políticas que fazem pouco caso do público.
Como público, peço um pouco de respeito à minha
pouca inteligência.
Será que é pedir muito?